GEOGRAFIA DE MATO GROSSO

Geografia de Mato Grosso

O Mato Grosso ocupa uma área de 903.366.192 km² do território brasileiro e localiza-se a oeste do Meridiano de Greenwich e a sul da Linha do Equador, tendo fuso horário -4 horas em relação a hora mundial GMT. No Brasil, o estado faz parte da região Centro-Oeste, fazendo fronteiras com os estados de Mato Grosso do Sul, Goiás, Pará, Amazonas, Rondônia,Tocantins, além de um país, a Bolívia. A capital (Cuiabá) está localizada a 15º35'55.36" lat. e 56º05'47.25" long., sendo conhecida, por isso mesmo, como coração da América do Sul. É o único a possuir características dos três biomas: Pantanal, Cerrado e Amazônia. 

Mato Grosso possui um clima caracteristicamente continental, com duas estações bem-definidas, uma chuvosa e outra seca. A estação chuvosa ocorre entre os meses de outubro a março, e a estação seca começa em abril e termina somente em setembro. 

O ponto culminante fica a 1.118m de altitude e se localiza na Serra de Santa Bárbara., entre os municípios de Pontes e Lacerda e Porto Esperidião. 

População do Mato Grosso

A população do Mato Grosso é de 3.262.100 habitantes, segundo a estimativa populacional de 2013, com dados coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Mato Grosso é o décimo-nono Estado mais populoso do Brasil e concentra 1,58% da população brasileira. Do total da população do estado em 2015, 1.585.097 habitantes são mulheres e 1.677.003 habitantes são homens. Possui uma densidade demográfica de 3,36 habitantes por quilômetro quadrado. Na imagem abaixo podemos observar os principais municípios do estado de Mato Grosso.


Pelas características encontradas no estado, o predomínio é de pessoas adultas e com um índice de declínio para jovens e aumento de idosos. Pela média do estado há um predomínio de homens devido a emigração dos outros estados para o Mato Grosso, contudo, na grande Cuiabá há predomínio de mulheres, semelhante à média brasileira. Mato Grosso ocupa o nono lugar entre os maiores índices de desenvolvimento humano das unidades federativas do Brasil.

Clima de Mato Grosso

Mato Grosso é um estado de grandes proporções e com o relevo acidentado. Apesar de ser conhecido notoriamente pelo calor escaldante, apresenta seis diferentes tipos de clima. 

A grande extensão territorial de Mato Grosso lhe confere uma grande diversidade de tipos climáticos.
O Estado compreende seis tipos de clima, a saber:

Clima Tropical Monçoico (AM)

Abrange os municípios de Aripuanã, Alta Floresta, Porto dos Gaúchos, Colíder, Luciara e parte dos municípios adjacentes. 

Este clima apresenta uma temperatura média anual em torno de 25o C e precipitação pluviométrica anual superior a 2.000 mm. O período de maior incidência de chuvas verifica-se de setembro a março. 

Clima Tropical de Savana (AW)

Ocupa extensa área na região norte do Estado e ainda abrange os municípios de Barra do Garças, Cuiabá, Acorizal, Diamantino, Nobres,  Rosário Oeste, Alto Paraguai e municípios circunvizinhos. A precipitação pluviométrica varia de 1.137 mm (Cuiabá) a 2.200mm (Alto Garças), apresentando um período seco de abril a setembro e outro chuvoso de outubro a março. A temperatura média anual das mínimas oscila nos meses de junho e julho, enquanto a média das máximas em agosto e setembro, varia de 25oC a 30oC.

Clima Tropical de Savana com Primavera Quente

Abrange o município de Nortelândia e parte dos municípios de Alto Paraguai, Arenápolis, Barra do Bugres e Diamantino, além dos municípios adjacentes. A temperatura média é de 24oC, com média anual das mínimas em torno de 20oC e a das máximas em torno de 30oC. Recebendo a influência do clima tropical Monçóico, apresenta precipitação pluviométrica anual de 1.700 mm.

Clima Tropical do Pantanal

É o clima da região de mais baixa altitude do Estado, onde estão situados os municípios de Cáceres, Poconé, Nossa Senhora do Livramento, Barão de Melgaço, Santo Antônio do Leverger e parte de Itiquira. As temperaturas médias anuais das máximas e das mínimas situam-se em torno de 32oC e 20oC, respectivamente. A precipitação pluviométrica anual gira ao redor de 1.091 mm.

Clima Tropical de Altitude

Este tipo climático compreende os municípios de Dom Aquino, Poxoréo, General Carneiro, Tesouro, Torixoréo e parte dos municípios adjacentes. Apresenta um período quente e úmido nos meses de outubro a março e outro frio e seco, de abril a setembro. A precipitação pluviométrica anual em alguns municípios atinge mais de 2.500 mm, diminuindo no período frio. A média das temperaturas máximas é de 30oC e das mínimas de 17oC.

Clima Tropical com Verão Chuvoso

Enquadram-se nesse tipo de clima os seguintes municípios: Ponte Branca, Alto Garças, Alto Araguaia, Araguainha e parte dos municípios adjacentes. O período das chuvas ocorre de setembro a março, sendo que os maiores índices pluviométricos verificam-se nos meses de novembro a fevereiro, quando se registram as mais altas temperaturas. No inverno, diminui o índice pluviométrico e a temperatura.

Temperatura de Mato Grosso

O comportamento da temperatura em Mato Grosso decorre de fatores geográficos e dinâmicos. A distância da costa brasileira condiciona a ocorrência de altas temperaturas, principalmente no período da seca na primavera.

O comportamento da temperatura em Mato Grosso decorre de fatores geográficos (continentalidade, latitude e relevo) e dinâmicos (circulação atmosférica). A distância da costa brasileira, impedindo a influência moderadora do oceano, condiciona a ocorrência de altas temperaturas, além de fortes amplitudes térmicas anuais.

A elevação da altitude, associada ao aumento da latitude, é responsável pelo decréscimo da temperatura nos trechos mais elevados das chapadas.

A temperatura média anual no Estado varia de 27°C, ao Norte, a 20°C nos morros isolados e mais elevados ao Sul. Observa-se que de Leste para Oeste ocorre também um aumento térmico médio anual, explicado pelo decréscimo altimétrico em direção à Baixada do Pantanal.

No período da primavera-verão as temperaturas permanecem elevadas particularmente na primavera, quando o período chuvoso ainda não se iniciou. Setembro é, em geral, o mês mais quente, com média atingindo os 28°C- 26°C ao Norte e 26°C-24°C ao Sul.

A partir do outono, as temperaturas decaem, chegando ao mínimo no inverno, sendo os meses de junho e julho os mais frios. Mesmo no período mais quente, ocorrem resfriamentos significativos, possivelmente graças à influência de Frente Polar Atlântica.

As amplitudes térmicas diárias são elevadas, especialmente na época mais fria e seca, em virtude da existência de uma menor quantidade de vapor d’água na atmosfera, possibilitando uma maior insolação durante o dia e radiação terrestre mais intensa à noite. No período quente e úmido, a elevada porcentagem de vapor de água na atmosfera, aliada à maior nebulosidade, possibilita um certo equilíbrio térmico, impedindo a ocorrência de grandes mudanças térmicas numa mesma massa de ar.

Mínimas Extremas

Historicamente, as duas maiores ocorrências de temperaturas baixas, associadas com irrupções de ar de origem antártica registraram-se em julho de 1933 e em julho de 1975. Pela extensão desta ocorrência de frio é evidente que se tratava de uma invasão de ar de origem antártica. Nesse ano de 1933 não foi só um ano de geada notável como também época de precipitação e descarga fluvial excepcional.

A segunda irrupção de ar muito frio, em 1975, foi de consequências desastrosas. A massa de ar frio entrou na área da Bacia do Alto Paraguai nos dias 16 e 17 de julho, tendo levado uma onda de temperaturas baixas ao estado do Paraná e ao Paraguai, onde se registraram temperaturas abaixo de zero. Além dos acontecimentos associados com as frentes frias de grande envergadura, também ocorreram severas geadas locais.

Máximas Extremas

A temperatura máxima geralmente acontece em outubro/novembro, raras vezes em setembro ou outubro e, quase nunca em janeiro ou fevereiro. As zonas de temperaturas mais altas de toda a Bacia são das terras mais baixas; os registros indicam que as máximas foram 42,2oC, em Cuiabá.

Nas regiões mais baixas (depressão do Médio Xingu e Pantanal) surgem os grandes núcleos de altas máximas. A Depressão do Pantanal na primavera-verão com a presença da Bacia do Chaco e o forte aquecimento, atinge altas temperaturas prolongando-se numa faixa mais larga ao norte e com torção ao nordeste.

Relevo de Mato Grosso

Altos planaltos, planaltos rebaixados, depressões e planícies fluviais são as principais unidades de relevo de Mato Grosso. Além disso o Estado se divide em 17 regiões altimétricas. Em Mato Grosso são encontradas as seguintes grandes unidades de relevo: 

Altos Planaltos 

Os Altos Planaltos formam um conjunto de relevos elevados que se distribuem descontinuamente pelo Estado, localizando-se, todavia, mais contundentemente ao sul, constituindo o divisor com a Bacia do Paraná, caso da Chapada dos Parecis. Essa feição também responde pelos divisores entre as sub-bacias da região, como por exemplo, dos rios Xingu e Araguaia. O relevo toma geralmente a forma tabular, em cristais e em colinas, onde aparecem residualmente formas de pontões. 

A altimetria varia geralmente entre 150 e 400 m., com dissecação em forma de crista e colinas de topo aplainado, mas verificam-se também as chapadas e relevos em forma de mesa, com altitudes que vão de 300 a 800 m. Quanto à drenagem, a rede hídrica comporta vales encaixados, gerando até, em algumas circunstâncias, gargantas fluviais dado o seu maior aprofundamento. Nessa feição, os cursos d’água apresentam em geral regime hidráulico torrencial, dada a maior declividade dos terrenos. Eventualmente aparecem escarpas no contato desse relevo com as áreas rebaixadas circundantes.

Planaltos Rebaixados

Os Planaltos Rebaixados ocupam uma pequena área na extremidade noroeste do Estado, na sub-bacia do Rio Aripuanã. Nessa unidade, o relevo mais comum é o dissecado em interflúvios tabulares, vindo em segundo lugar as colinas que margeiam lagos ou as planícies fluviais. A sua rede de drenagem apresenta pequeno grau de adensamento e pequena densidade de canais. Os vales assumem normalmente a forma de um V, embora possam ser encontrados os do tipo fundo chato. As cotas altimétricas variam ao redor de 200m na porção ocupada no Estado.

Depressões

As Depressões caracterizam-se principalmente pela interpenetração nos Altos Planaltos, de maneira a torná-los isolados em blocos de relevos distintos. Possuem altitudes entre 150 e 200m., sendo aplainadas, conservadas em determinadas partes, enquanto outras são dissecadas em colinas. Essa feição, presente na maior parte do Estado, determina uma alta densidade de canais de drenagem, perenes ou temporários, sendo que a baixa declividade condiciona geralmente regime fluvial aos cursos d’água.

Planícies Fluviais

As Planícies Fluviais abrangem mais notadamente as faixas marginais dos rios Xingu e Araguaia. Essa planície apresenta modificações sucessivas de canais com número significativo de ilhas, caso principalmente do Araguaia. São observadas grandes quantidades de sedimentações lineares marginais aos rios que tomam o aspecto de faixas recurvadas paralelas, entre as quais é comum a presença de lagos alongados. Verificam-se ainda os chamados lagos de várzea, onde a planície assume um aspecto tipicamente lacustrino (Vieira, 1987), com extensas áreas alagadas ou alagadiças. Por essas características, o regime hidráulico mais freqüente dos seus cursos d’água é fluvial.

Após pesquisas do Projeto RADAMBRASIL, hoje em dia o Estado divide-se em 17 regiões altimétricas. Projetando essas regiões sobre os municípios de Mato Grosso, temos: 

Planalto Apiacás-Sucurundi 

Depressão Interplanáltica Amazônia Meridional 

Vasta planície rebaixada, dissecada, em formas dominantemente convexas, com drenagem de padrão dentrítico, variando a altitude entre 200 a 300 m.

Planalto Residual Norte 

Blocos de relevos separados uns dos outros em extensa superfície rebaixada. Os blocos correspondem à Serra Caiabis e Serra do Cachimbo.  Esse planalto residual abrange os municípios de Alta Floresta, Carlinda, Cláudia, Novo Mundo, Colíder, Guarantã do Norte, Itaúba, Juara, Marcelândia, Matupá, Nova Canaã do Norte, Novo Horizonte do Norte, Peixoto de Azevedo, Porto dos Gaúchos, Santa Carmem, Tabaporã, União do Sul, Terra Nova do Norte e Feliz Natal. 

Planalto Dissecado do Sul do Pará 

Aglomerados de relevos residuais, caracterizados pelo recortamento e descontinuidade espacial. Esse planalto dissecado abrange os municípios de Luciara, Paranatinga, Gaúcha do Norte, Peixoto de Azevedo, Feliz Natal, São Félix do Araguaia e São José do Xingu. 

Depressão Periférica Sul do Pará 

Predominância de formas dissecadas de topo convexo e relevos residuais. Superfícies planas com altitude em torno de 250 m. Consiste nas partes mais baixas do Planalto Dissecado do Sul do Pará. 
Essa depressão abrange os municípios do Planalto Dissecado do Sul do Pará. 

Planalto Parecis
Depressão Araguaia 

Superfície rebaixada e suavemente dissecada, com formas predominantemente tabulares e convexas. 
Essa depressão abrange os municípios de Água Boa, Barra do Garças, Confresa, Luciara, Porto Alegre do Norte, Ribeirão Cascalheira, Santa Terezinha, São Félix do Araguaia e Vila Rica. 

Planície do Bananal
Depressão Guaporé
Planícies Alto e Médio Guaporé
Planalto Residual Alto Guaporé 

Feições cuestiformes. Serras de Ricardo Franco, São Vicente, Santa Bárbara, com prolongamentos em forma de cristas. Esse planalto abrange os municípios de Vila Bela da Santíssima Trindade, Nova Lacerda, Pontes e Lacerda, Porto Esperidião e Jauru.

Depressão Rio Paraguai 

Extensas superfícies aplainadas, por vezes em formas pedimentadas. A maior parte é recoberta por sedimentos recentes. Secundariamente ocorrem formas dissecadas de topo plano, convexo e aguçado. Sofre inundações periódicas, tradicionalmente conhecidas como Pantanais. 
Essa depressão abrange os municípios de Barão de Melgaço, Cáceres, Cuiabá, Itiquira, Nossa Senhora do Livramento, Poconé, Santo Antônio do Leverger e Várzea Grande. 

Província Serrana 

Sucessão de anticlinais e sinclinais, por vezes fortemente erodidas, com inversão de relevo. Rocha pré-cambriana indiferenciada. Vem a ser a Serra do Tombador, localmente denominada com nomes variados, conforme a região: Vira-Saia, Camarinha, Araras.  Essa Província abrange os municípios de Alto Paraguai, Barra do Bugres, Cáceres, Diamantino, Rosário Oeste, Nobres. 

Depressão Interplanáltica Paranatinga 

Litologia desde o Pré-Cambriano até o Cenozóico. Ora relevo de cuestas e chapadas, ora relevos planos convexos e residuais, ora complexos tectônicos, de escarpas alcantiladas, com reverso de rampas indefinidas e interrompidas por relevos residuais de todo plano. 

Abrange os municípios de Acorizal, Água Boa, Campinápolis, Campo Verde, Canarana, Chapada dos Guimarães, Cuiabá, Dom Aquino, Jaciara, Juscimeira, Nova Brasilândia, Nova Xavantina, Novo São Joaquim, Paranatinga, Poxoréo, Primavera do Leste, Rondonópolis e São Pedro da Cipa.

Planalto Guimarães
Planície e Pantanal Mato-grossense 

Extensa superfície de acumulação e inundação. Além do nome tradicional de Pantanais, a região apresenta acidentes denominados popularmente de baía, cordilheira e corixos. 
Essa planície abrange os municípios de Barão de Melgaço, Cáceres, Itiquira, Nossa Senhora do Livramento, Poconé, Santo Antônio do Leverger e Várzea Grande.

Planalto Taquari-Itiquira

Relevo dissecado em formas aguçadas, convexas e planas, com testemunhos de relevos das serras Petrovina e Jibóia. Topos de plano estrutural, seguidos de planos erosivos. Esse planalto abrange os municípios de Alto Taquari, Alto Araguaia, Alto Garças, Araguainha, Barra do Garças, Guiratinga, Itiquira, Pontal do Araguaia, Ponte Branca, Tesouro, Torixoréu.

Fuso Horário

O Fuso Horário em vigor é uma hora menor em relação ao Horário de Brasília e quatro horas a menos em relação a Greenwich, UTC-4. Geralmente entre os meses de outubro e fevereiro adota-se o Horário de Verão, no qual os relógios são adiantados uma hora para poupar energia. Curiosamente, ainda que em caráter não oficial, alguns municípios do leste do estado, na região conhecida como "Vale do Araguaia", adotam o Horário de Brasília mesmo sendo obrigados por lei a adotarem o Fuso Horário Oficial de Mato Grosso. A população, por sua vez, alega que a região já está dentro do fluxo 45° O e, além disso, sofre muita influência do estado de Goiás, uma vez que por se tratar de região de divisa, a capital Goiânia está muito mais próxima que Cuiabá. Portanto, municípios como Barra do Garças, Alto Araguaia, Canarana, Água Boa e Nova Xavantina, por exemplo, seguem o Horário de Brasília.